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RIBEIRÃO PRETO / SP

HORA DE DORMIR E ACORDAR                                    

          Todos da nossa família jantavam em total silêncio. Parecia uma forma de agradecer a Deus, por mais um dia de saúde, vivido. Quando o relógio marcava nove horas da noite, todos já dormiam. O meu colchão era de palha, e as cobertas eram tecidas em lã de carneiro. Eu não gostava de falar, aos meus amigos da cidade, que o meu colchão era feito de palha. Alias vários hábitos da roça são diferentes dos da cidade, e eu preferia sempre os da cidade: o pão Frances ao bolo de fubá; os refrigerantes aos sucos naturais... e assim por diante.

Na madrugada o galo cantava e, nos avisava para levantar. O sono ainda persistia, mas o nosso pai nos ensinou a pular, de uma só vez da cama, para, assim, não sermos vencidos pelo sono; Faço o uso desta técnica até os dias de hoje.

         De manhazinha, o cheiro do café e o alto volume do rádio, exalavam pela casa toda; os bezerrinhos berravam no curral, e as vacas tentavam protegê-los do frio e da fome.
          -"Márcia traz o balde pra tirar o leite" - gritava o meu pai.

Assim, eu saía pelo orvalho gelado da grama, e levava, além do balde, uma

" canequinha " para meu pai, tirar o leite espumado, para eu beber.  Eu tomava aquele leite como se fosse o único do dia, embora ele separasse ,uns oito litros, para o consumo diário da família.

          O leite formava uma espuminha, no canto da minha boca... e adorávamos rir, entre os irmãos, um do outro, ao ver todos de “ bigodinho” ... Da espuma do leite!

          - "Vai menina, vai logo pra aula”... Dizia meu pai, quando percebia que a farra, já nos causaria atraso.      

          Então... Saía eu, novamente para a escola, em mais um dia de luta, bem satisfeita com a minha canequinha de leite, na barriga...

Pais e Irmãos