TELEFONES: (16) 4141-1315 / 3021-9409
CELULAR: (16) 9.9792-1049
RIBEIRÃO PRETO / SP

O TEMPO DE ESCOLA...                                       

          Márcia do Carmo é meu nome de batismo. Desde criança possuía muita facilidade em ser notada. Caso não existisse uma situação notória, era bem provável que eu a criasse, para ser vista.
          Nasci em Poço Fundo, estado de Minas Gerais. Cresci e tive a minha educação fundamental com formação em magistério pela Escola Estadual “Cônego Paulo Monteiro”, em São João da Mata, M.G.
          Para chegar à escola em que eu estudava, eu
caminhava, mais ou menos, uns três quilômetros, de terra batida. Nesta estrada o que se ouvia eram o canto dos pássaros e, algumas vezes, o gemido dos carros de bois.
          - Ao menos não estou só, pensava.
          - “Marcinha, quer uma carona?” - Perguntava-me, o leiteiro que também fazia este percurso, diariamente. Então, eu balançava a cabeça, e com um sorriso meio acanhado, subia na carroceria do caminhão de leite, rumo à cidade.

          O vento, na carroceria era forte e com a sua força, fechava automaticamente os meus olhos. Não enxergava até chegar ao destino final. Levava no meu ombro, uma mochila cheia de cadernos, e todo o ideal de uma vida, além de um pedaço de bolo de fubá. Assistia a todos às aulas, e, dificilmente perdia um dia.

          Os nossos professores estaduais e municipais eram muitos bons. Lembro-me com carinho da Dona Maria de Paula, da Dona Maria Auxiliadora, da diretora Dona Orminda, Dona Néia, Dona Benê, Maria Augusta, Martê, Maria Emilia, Ana Adirce, dentre tantas outras queridas. Para o professor, com princípios cognitivos reais, há de ter uma dimensão especial reservada para eles, cheia de luz e de alegria.

          Eu realizava as atividades normais de uma criança da roça: buscava lenha, varria um quintal enorme, “ catava” o café na lavoura, ajudava o meu pai a tirar leite das vacas, conduzia o gado, e cuidava dos irmãos mais jovens.

           Gostava de ficar num barranco acima da minha casa, e como era alto, me imaginava em cima de um palco, e, assim, realizava o meu teatro:              

          Então eu dizia: “Agora com vocês direto de São Paulo, a cantora Márcia...”
          - “Vamos lá, Márcia, canta uma música para nós....”
assim começava a cantar “ A galopera”,sempre...

          Eu cantava muito alto, e a reverberação da minha voz soava ao longo das montanhas, e fazia eco. Aquilo era tudo muito bonito e gerava mil planos futuros.

          Com a mesa já posta e o cheiro adorável da comida feita no fogão à lenha; a minha mãe me acordava desta encenação teatral com o seu chamado:

“ Vem jantar menina...só sabe cantar!”

          Corria para atendê-la, e o que se ouvia, alem, de sua bronca por me atrasar, era o som hipnotizante dos sapos, juntamente, ao inesquecível e incomparável radialista Zé Bétio:  
          - Quem é ?
          - É o Zé Bétio...

Tio Francisco, Naja, Juarez e Tia Lúcia